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TERAPIA CRÂNIOSACRAL - Pediatria Flexível


Autor: Debora Dellapena


A administração da terapia crâniosacral pode ajudar crianças com vários tipos de problemas.


O trauma experienciado pelo recém nascido durante seu nascimento costuma não ser notado devido à duração e à dor do parto experienciados pela mãe.


Considere as mudanças extremas de ambiente - do útero quente, escuro e confortável para uma sala de operações fria, ofuscante e cheia de gente. Sem falar da nova sensação do toque humano e de ser manipulado por várias pessoas.


Alguns profissionais médicos acreditam que estas experiências traumáticas ficam guardadas nos tecidos do recém nascido durante anos e podem gerar uma enorme quantidade de problemas que vêm à tona com o tempo. Algumas destas recordações "ruins" podem converter-se em síndromes e sintomas emocionais e/ou físicos.


Para evitar algumas das condições que podem ocorrer como resultado do processo de nascimento, uma técnica denominada terapia crâniosacral (TCS) é ensinada no Instituto Upledger em Palm Beach Gardens, Florida. Esta técnica é usada para tratar crianças e adultos e pode ser usada em parceria com outros métodos terapêuticos.


Estabelecida no início do século pelo Dr. William Sutherland, a TCS é uma técnica feita com as mãos que avalia e melhora a função do sistema crâniosacral. Este sistema consiste de membranas e fluido cérebro-espinhal que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal. Estende-se desde os ossos do crânio, face, e boca descendo até ao sacro.

 

Sutherland explorou o conceito de que os ossos do crânio foram estruturados para movimento e a partir daí desenvolveu a osteopatia craniana.


Em meados de 1970, o médico osteopata John Upledger partiu para a confirmação científica da existência do sistema crâniosacral. O que eventualmente levou ao desenvolvimento da terapia crâniosacral.


Os terapeutas de crâniosacral usam um toque leve para ajudar no fluxo natural de fluido cérebro-espinhal dentro do sistema. A força necessária é muito pequena - semelhante à força usada para levantar uma moeda com um dedo (5 gramas) - para testar se há restrições nas várias partes do sistema crâniosacral. Em essência o terapeuta facilita a auto-correção do corpo.


A Dra. Alice Quaid integrante do estafe médico do Instituto Upledger, passou grande parte dos 16 anos de sua carreira
trabalhando com pacientes com dor crônica e crianças com múltiplas dificuldades. Ela interessou-se por esta terapia
alternativa quando um colega convidou-a para um curso de TCS há mais de nove anos atrás.


"Eu estava buscando uma técnica que melhorasse as duas populações (infantil e adulta) e ajudasse-as em sua capacidade de funcionamento. Sou céptica, até ver eu mesma os resultados," disse Quaid sobre seu 1º contato com a TCS.


"Comecei a ver mudanças que não havia visto antes," - disse ainda Quaid, referindo-se às crianças e adultos que tratou na unidade de dor crônica.


Lembrou-se de um menino de 15 anos, cego e autista. "Ele tinha as articulações muito presas. Dificuldade com mobilidade; de abaixar e levantar do chão e de usar o andador," - disse Quaid.


"Ele tinha uma extensão de movimento muito limitada nas extremidades superior e inferior. Eu observava um fisioterapeuta alongá-lo. Com o passar dos anos ele ficava cada vez mais rígido."


Dando-se conta de que a terapia tradicional não estava ajudando, Quaid decidiu aplicar no rapaz uma sessão de terapia
crâniosacral. Após um ano e com a ajuda de outro terapeuta de TCS, Quaid conseguiu que este jovem caminhasse com uma bengala.


Eventualmente, sua mobilidade e extensão de movimentos também aumentaram.


"Ver a diferença foi emocionante! Ver progressos onde antes não havia nenhum," - disse Quaid. Ela enfatizou que as mudanças não ocorrem da noite para o dia. Fisgada pela TCS, ela ficou cada vez mais envolvida com o trabalho e cursos, posteriormente formou-se em instrutora certificada. "O que mais gostei sobre a técnica é que podia adaptá-la aos diferentes tipos de paciente, principalmente ao trabalho pediátrico. O trabalho craniano harmoniza-se facilmente
com outras técnicas."

 

Lynne Ganz, médica pediatra em Reston, Virginia, pratica TCS há seis anos. Buscando uma técnica que pudesse ser útil para seu filho que tem dificuldade de concentração, ela descobriu a TCS e acho-a "de grande utilidade para as necessidades dele." Agora todos os seus clientes recebem TCS. "Apaixonei-me pela técnica na primeira aula e continuei a fazer os cursos de acordo com minhas possibilidades," - disse Ganz. Ela acredita que a abordagem suave, não invasiva, e de contato com as mãos é o que faz a TCS ser tão eficaz. "As crianças conseguem lidar com este
tipo de abordagem. Ela preenche as necessidades de muitas deficiências." - Ganz.


Profissionais médicos têm trabalhado com terapia crâniosacral desde 1950, mencionou Quaid. As duas terapeutas concordaram em que todos podem beneficiar-se com a TCS, mas Ganz acredita que as crianças possam beneficiar-se ainda mais porque seu sistema crâniosacral é mais flexível e responde à técnica mais rapidamente. "Elas modificam-se mais facilmente que os adultos.


Com o adulto o terapeuta tem que descobrir as restrições." As técnicas de TCS utilizadas em pediatria não são as mesmas utilizadas com adultos. Principalmente o toque é diferente e é essencial que o terapeuta perceba bem os ossos do crânio da criança, os quais ainda estão em desenvolvimento e formação.


"Alguns ossos só acabam de formar-se com 7 a 8 anos de idade." Estes ossos muitas vezes estão mais para membrana do que ossificados. "Um terapeuta precisa ter as técnicas manuais para poder usar a medida certa de força e ser capaz de perceber o que o corpo da criança precisa," salientou Ganz.


Além disso, as crianças não dão as mesmas respostas verbais (feedback) que os adultos. Devido a isto, os terapeutas
pediátricos precisam tomar mais decisões durante o tratamento.


Ganz disse ainda que as crianças emitem mensagens mais sutis e se mexem muito mais que os adultos. Os terapeutas precisam adaptar-se a isto, disse Ganz.


Quaid lembrou-se de um estudo de cinco anos empreendido num hospital do Maine, no qual cada recém nascido recebia um tratamento de TCS antes de ir para casa. Durante o primeiro ano a incidência de doenças que precisavam de hospitalização entre as crianças que haviam recebido uma sessão de TCS foi menor que a metade daquelas crianças que haviam nascido em hospitais vizinhos e não tinham recebido TCS. Quaid já fez TCS em crianças com apenas 45 minutos de nascidas e trata bebês com poucas semanas de idade regularmente.


Desde o ano passado, o Instituto Upledger começou a oferecer um novo curso de TCS pediátrico. Baseado no livro escrito pelo Dr. John Upledger The Brain is Born (Nasce o Cérebro), o curso propõe-se a explicar o processo de desenvolvimento desde a concepção até o nascimento, como trabalhar com bebês, crianças e grávidas.


Ganz acredita que um dos motivos da TCS pediátrica ter-se tornado mais popular é a crescente necessidade dos pediatras de informações mais específicas.


A TCS pediátrica pode ser utilizada para tratar várias condições, inclusive deficiências de aprendizagem, dificuldade
de concentração, hiperatividade, atraso geral de desenvolvimento, e autismos. Ganz acha que todas as crianças
"normais" deveriam fazer "uma avaliação do equilíbrio do seu sistema crâniosacral."


Quanto à relutância de alguns terapeutas ao abordar a TCS, Quaid acredita dever-se à falta de compreensão. Experiências profissionais anteriores convenceram Quaid de que quando os terapeutas testemunham os resultados e compreendem a técnica, ficam interessados. "A técnica pode ser mal compreendida por ser tão adaptável a inúmeras situações," - explicou Quaid que acredita ser esta própria adaptabilidade o que torna a TCS tão eficaz.


Quaid disse que a TCS permite que os profissionais olhem o sistema crâniosacral, a fascia mais profunda do corpo. "Há a fascia em torno dos músculos, fascia em torno dos órgãos, e a fascia em torno do sistema nervoso," - explicou.
"Particularmente com pacientes que sofrem de dor crônica ou crianças, a TCS permite que o profissional trabalhe com as
restrições profundas no corpo."


Ela explicou ainda, "Embora o paciente esteja recebendo tipos de movimento e exercícios, o profissional precisa "ir lá dentro" e liberar aquele sistema." Uma vez que o sistema é "descongestionado", o movimento do paciente aumenta e ele poderá melhor executar os exercícios e progredir mais nas diferentes modalidades de tratamento tradicional.
"Eu já vi funcionar. Não funciona com todo mundo. Não é um cura tudo e todos." Segundo Quaid, a TCS é uma ferramenta eficaz que permite chegar a um sistema considerado por poucos profissionais.

 


Fonte: The Nation’s Contemporary Magazine for Physical and Occupational Therapy - Vol. 5, No. 40 - Outubro de 1997.
Traduzido por Jussara de Avellar Serpa.

 

 


   
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