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Técnica de Kaltenborn

 

OMT - Técnica de Kaltenborn


Andrezj Pilat Fisioterapeuta (Caracas - Venezuela)

INTRODUÇÃO

A medicina ortopédica é uma rama da medicina dedicada a evolução e tratamento das desordens do aparelho locomotor. Seus precursores foram Dr. James Mennel, Dr. James Ciryax e Freddy Kaltenborn. Este último fisioterapeuta, professor de educação física, quiroprático e osteopata, juntamente com o seu colega Olaf Evjenth desenvolveram sua própria Escola de Terapia Manual conhecida atualmente como OMT (Orthopaedic Manipulative Therapy). Neste curto resumo será tratado somente uma das partes mais importantes e características desta escola que é a mobilização articular. Inclusive será limitado às bases de mobilização em posição de repouso.

PRINCÍPIOS DA OMT

A base das técnicas da OMT partem dos princípios de artrocinética e são utilizadas diariamente por uma grande maioria dos profissionais da fisioterapia.
Kaltenborn afirma que nenhuma das superfícies articulares é perfeitamente plana, cilíndrica, cônica ou esférica. Na realidade cada superfície articular tem um certo grau de curvatura que, longe de ser constante, muda de um ponto a outro em cada articulação. Essas superfícies obrigam a formar no corpo humano diferentes uniões articulares de acordo com as exigências de um determinado segmento corporal. Os especialistas em anatomia e cinesiologia utilizam diferentes classificações para as articulações. Kaltenborn se baseia principalmente na classificação de MAcConaill quem distingue quatro tipos de união articular: 1. ovóide inalterado - ex. coxofemoral 2. ovóide alterado - ex. metacarpofalângica 3. selar inalterado - ex. carpometacarpiana 4. selar alterado - ex. interfalângica Os diferentes tipos de articulações realizam diferentes movimentos.
Para o estudo dos movimentos dos componentes ósseos e articulares, Kaltenborn se baseou nos princípios da osteocinemática e na artrocinemática. E assim distingue dois tipos de movimento: 1. Rolamento - movimento curvilíneo realizado sobre um eixo 2. Translação - movimento retilíneo Estes dois movimentos básicos produzem em conseqüência dois movimentos articulares principais:
1. Rolamento-deslizamento: produzido por rolamento do osso (na Terapia Manual este movimento se denomina como movimento fisiológico da articulação). Cada movimento articular tem dois componentes: rolamento e deslizamento. Isto ocorre igualmente durante o movimento passivo como no ativo.
* Rolamento: ocorre quando novos pontos da superfície entram em contato com novos pontos da outra superfície. Tratando-se de superfícies incongruentes, a superfície côncava pode rodar sobre a convexa e vice-versa. Uma lesão articular acorre quando registramos somente o componente de rotação durante o movimento. Esta forma de movimento pode produzir compressão entre as superfícies articulares e levar ao pinçamento das estruturas como por exemplo dos meniscos.
* Deslizamento: se produz quando um ponto de uma das superfícies articulares entra em contato com novos pontos da outra superfície. Este tipo de movimento se realiza entre as superfícies congruentes. Considerando que este tipo de superfícies são ausentes no corpo humano, concluímos que este movimento puro não se pode realizar.
Como mencionado ao início, os movimentos no corpo humano são uma combinação de ambos os componentes. A proporção entre o rolamento e o deslizamento em cada movimento articular está determinado pela forma da articulação e, todavia esta tenha superfícies mais congruentes, a proporção estará a favor do deslizamento. O movimento de rolamento se realiza na mesma direção do movimento que realiza o osso. Esta afirmação é certa independente se é realizado o movimento de uma superfície côncava sobre a convexa ou ao contrário. Em oposição, se analisamos o componente de deslizamento, sua direção depende da superfície que se move. Portanto, se a superfície côncava é a que se move, então o movimento do osso e do deslizamento são na mesma direção. Mas, se é a superfície convexa do movimento, então este realizará na direção oposta ao movimento do osso.
2. Movimento Transitório: é um deslizamento retilíneo do corpo e tem as seguintes características: • todos os pontos se movem: - em linha reta - a mesma distância - na mesma direção - com mesma velocidade Diferentemente do rolamento, este movimento não se realiza sobre um eixo. Em relação ao jogo articular e o movimento transitório, Kaltenborn utiliza as expressões: "slack" e "slack taken up". Este Slack é a tensão dos componentes estabilizadores da articulação (ligamentos, cápsula) que permitem um funcionamento fisiológico da articulação. Antes de iniciar uma aplicação da técnica do deslizamento-mobilização, se deve reduzir o slack nos tecidos adjacentes movendo o osso paralelo ao plano de tratamento e na direção da limitação do deslizamento. Em sua teoria Kaltenborn distingue três graus de movimento. Na OMT se utiliza a expressão "jogo articular" para descrever a ação na articulação enquanto se realiza o movimento translatório do osso. Estes movimentos se podem utilizar como técnicas de evolução passiva e também como tratamento.
Kaltenborn distingue três principais movimentos do jogo articular:
1. Tração - é um procedimento passivo translatório com o qual através de um estiramento se produz a separação dos ossos. A direção deste movimento é perpendicular ao plano de tratamento.
2. Compressão - é o procedimento oposto ao anterior. Se realiza de maneira perpendicular ao plano de tratamento e através dele se comprime as superfícies articulares. A presença de dor ao realizar este procedimento indica a lesão articular
3. Deslizamento - é um movimento passivo translatório retilíneo de um osso e em conseqüência se produz um deslizamento retilíneo entre as faces articulares. A direção do movimento é paralela ao plano de tratamento (e não à superfície articular). Esta prova se realiza para um teste de mobilidade passiva da articulação e também como técnica de mobilização.

AVALIAÇÃO

A avaliação da OMT é um processo minucioso e complexo e não cabe neste curto resumo. Todavia se deve destacar os seguintes pontos sobre a avaliação do movimento articular.
* Quantidade de movimento (para determinar hipo ou hipermobilidade) - goniometria - avaliação manual ( de 0 a 6) 0 - não há movimento (anquilose) 1 - considerável diminuição de movimento 2 - leve diminuição de movimento 3 - normal 4 - leve incremento de movimento 5 - considerável incremento de movimento 6 - instabilidade completa
* Qualidade de movimento . desde o início até a primeira resistência . arco doloroso resistência final - fisiológica - patológica

TRATAMENTO

O tratamento na OMT é toda uma filosofia de aplicações, recomendações e precauções. De igual maneira se utiliza uma série de artefatos como, por exemplo, camas especiais, cinturões, cintas, pesos, bolsas com areia... são muito úteis para uma correta aplicação das técnicas. Estes artefatos muito comuns, hoje em dia, no uso de cada terapeuta manual em particular e o fisioterapeuta genericamente, permitem assegurar uma correta aplicação, mas também permitem ao terapeuta adaptar as posições eficientes e seguras ao realizar os tratamentos. Kaltenborn foi um dos pioneiros no desenho e elaboração destes. Como mencionado ao princípio, neste resumo tratamos somente as pautas de tratamento das limitações (hipomobilidades) das articulações. Existem, na OMT, técnicas especializadas para os outros tipos de patologia como, por exemplo, tratamento das articulações hipermóveis ou lesões de tecidos moles).
No tratamento de uma articulação hipomóvel se aplicam as técnicas de deslizamento. O movimento deve
ser aplicado na direção de restrição do deslizamento. É básico determinar qual é esta direção. Com esta finalidade Kaltenborn aplica duas provas:
1. Teste de deslizamento (método direto): se realizam os movimentos translatórios passivos em todas as direções do movimento articular para determinar diretamente qual destes está restrito. Cada articulação tem seu procedimento específico.
2. Regra Convexo-côncava (método indireto): a determinação da direção do deslizamento restrito pode se obter ao aplicar a regra convexo-côncava.
Este método se realiza nas seguinte situações: - o paciente tem uma dor severa que não permite realizar os movimentos - a articulação por si mesma tem uma limitação na amplitude de movimento - a articulação é muito hipomóvel - o examinador não tem experiência suficiente na avaliação de deslizamento A regra geral a seguir deve ser: * mobilizar o osso com a superfície articular convexa na direção oposta a direção de restrição * mobilizar o osso com a superfície articular côncava na mesma direção da direção de restrição .

 


   
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