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Hiperpressao arterial e doenca cardiovascula

 

Autores: Felipe Ribeiro Mascarenhas - Fisioterapeuta - Osteopata  CREFITO-3 27386-F

               Mariana Buratti Mascarenhas - Fisioterapeuta - Acupunturista  CREFITO-3 72985-F
                www.colunasemdor.com.br

 

As doenças cardiovasculares são as causas da maior parte da mortalidade no Brasil.

 

A sua mortalidade proporcional cresce progressivamente com a elevação da faixa etária, representando:


• 1,2% das mortes até 14 anos,
• 20% das mortes entre 20 e 49 anos,
• 41,2% na faixa com 50 anos.

 

Apesar dos grandes avanços tecnológicos apresentados como forma de diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares (revascularização do miocárdio, cineangiocoronariografia, ultrassonografia, cintilografia cardíaca e cerebral, tomografia computadorizada, drogas anti-hipertensivas e inotrópicas cardíacas...), a mortalidade continua elevada. E, mesmo quando não são letais, essas doenças levam com freqüência à invalidez parcial ou total do indivíduo, com grave repercussão para esse, sua família e a sociedade.

 

A causa da grande maioria das doenças cardiovasculares é desconhecida, mas sabe-se que existem fatores que aumentam a probabilidade de sua ocorrência. São os denominados “fatores de risco cardiovascular”. São eles:


• alcoolismo
• diabetes mellitus
• hereditariedade
• obesidade
• tabagismo
• hipercolesterolemia (colesterol auto)
• estresse
• hipertensão arterial

 

A hipertensão arterial é considerada um dos mais importantes fatores de risco afetando de 11 a 20% da população com 20 anos ou mais.
 

Além disso, sabe-se que cerca de 85% dos pacientes com AVC (derrame) e cerca de 40-60% dos pacientes com infarto do miocárdio apresentam hipertensão associada.

 

Ela é definida como sendo uma pressão arterial elevada , sendo a pressão arterial média maior que a faixa superior da normalidade aceita.

Existem alguns problemas que são enfrentados pela sociedade hoje com relação a hipertensão:


• mais da metade das pessoas com Hiperpressao Arterial não sabem do problema e por isso, não recebem tratamento adequado;
• mais da metade das pessoas que sabem que são hipertensas abandonam o tratamento
• as pessoas que estão em tratamento muitas vezes não tem atendimento correto, correndo o risco de complicações como: infarto do miocárdio, angina do peito, insuficiência cardíaca, hipertrofia do coração, complicações cerebrais (AVC) ou renais (insuficiência renal)...

 

Os níveis de hipertensão sofrem alterações com o aumento da idade, então, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem alguns critérios na consideração da Hiperpressao arterial, ou seja, um limite crítico de 160/95 mmHg de pressão arterial.
 

A PA sistólica estando entre ou maior que 140-159mmHg e a PA diastólica entre 90-94mmHg ou maior que isso, apresentam riscos cardiovasculares e são prováveis hipertensos..
Indivíduos que apresentam PA sistólica menor que 160mmHg e PA diastólica menor que 95mmHg são considerados como normotensos.

 

A Hipertensão Arterial também pode ser classificada de acordo com os risco que representa:


• baixo risco não apresenta fatores agravantes associados
• médio risco: hipertensão leve ou moderada com fatores agravantes como: estreitamento focal das artérias, aumento da creatinina do plasma, obesidade, diabete controlada, uso de anticoncepcional.
• alto risco: hipertensão moderada ou grave com agravantes como: insuficiência do ventrículo esquerdo, hemorragia cerebral, angina, infarto e diabetes descontrolada.

 

A hipertensão arterial sistólica isolada também determina maior risco cardiovascular. A sua ocorrência é predominantemente em pessoas mais velhas e a maior probabilidade do aparecimento de manifestações conseqüentes ao tratamento implicam o uso de medicamentos em doses menores e diminuição dos níveis da Pressão arterial conseguida mais lentamente e sob maior controle médico. Essas características dificultam a padronização de condutas e justificam o tratamento mais individualizado. Por essa razão, a maioria das condutas baseiam-se na elevação da PA diastólica.

 

Os efeitos letais da hipertensão são causados principalmente de 3 formas:


1)a excessiva carga de trabalho leva o coração ao desenvolvimento precoce de cardiopatias congestivas e ou coronárias, causando mortes frequentes por ataque cardíaco
2) a pressão elevada pode romper um vaso sanguíneo no cérebro, seguido de coagulação do sangue e morte das regiões importantes do cérebro ( “infarto cerebral”), clinicamente denominado AVC (derrame). Dependendo da parte do cérebro envolvida, o AVC pode causar, paralisia, demência, cegueira ou vários distúrbios cerebrais graves
3) a PA muito elevada causa quase sempre múltiplas hemorragias nos rins, produzindo várias áreas de destruição renal, e por fim, insuficiência renal, uremia (falta de urina) e morte.
4) pode ocorrer também um acúmulo excessivo de líquido extracelular no corpo, devido ao mecanismo rim-volume líquido corporal na regulação da PA estar deficitário, provocando uma hipertensão por sobrecarga de volume.


É considerado indivíduo hipertenso:


• indivíduo com 20 anos ou mais
• que apresenta PA sistólica igual ou maior que 160mmHg
• e PA diastólica igual ou maior que 95mmHg
• essas Pressões arteriais devem ser obtidas em pelo menos 2 verificações feitas em dias diferentes

 

Nas gestantes, são considerada hipertensas aquelas que tiverem um aumento de 15mmHg na PA diastólica quando comparada as PA anteriores.

 

A medição da PA é feita com esfigmomanômetro de mercúrio, que é composto por um manguito inflável e um manômetro com escala de valores numéricos.
 

A PA é medida com o paciente sentado, braço repousado sobre uma superfície firme. Para evitar variações acentuadas, deve ser obtida após 5 minutos de repouso e relaxamento.
 

Condições fisiológicas e patológicas como o esforço físico e a febre, pode, alterar o resultado da medida e dificultar a interpretação dos resultados.

 

O manguito deve ser aplicado no braço direito nú (nem apertado, nem frouxo).Após a aplicação adequada do manguito palpa-se a artéria braquial e insufla-se o manguito até um pouco além de quando o pulso braquial não seja mais sentido. Aplica-se o estetoscópio na artéria braquial e inicia-se a desinsuflação lentamente do manguito observando-se o mostrador . Logo que se ouçam os primeiros ruídos arteriais (fase I dos sons de Korotkoff) verifica-se o valor da PA no mostrador do manômetro , o valor da PA sistólica, até que os ruidos arteriais desapareçam por completo ( fase V ), neste momento tem-se o valos da PA diastólica no manômetro.
 

Em alguns casos os sons arteriais não desaparecem, nessa situação a PA diastólica é considerada o momento em que os ruidos sofrem um evidente abafamento de tonalidade (fase IV).

 

Após a detecção da PA é aconselhável que o profissional responsável pela verificação interrogue o paciente sobre:
 

• sua medida anterior da PA
• se faz uso de medicamentos anti-hipertensivos

 

Pacientes suspeitos de apresentarem Hiperpressao Arterial deverão passar por uma avaliação clínica completa (anamnese e exame físico) para que se confirme ou não o diagnóstico e se estabeleça uma conduta.
 

A avaliação clínica na primeira consulta médica visa essencialmente a obtenção de todos os dados para se diagnosticar possíveis causas de H.A.S, bem como, a presença ou ausência de complicações decorrentes da PA elevada.

 

A Avaliação feita para Hiperpressao Arterial, diagnosticada ou não deve constar de alguns dados de identificação como: nome, idade, sexo, profissão... e os Dados da História Clínica:
 

1) relativos ao diagnóstico anterior de Hiperpressao Arterial: conhecimento prévio do diagnóstico de Hiperpressao Arterial, tratamento hipertensivo (com ou sem drogas) atual ou no passado, efeitos colaterais já apresentados nos tratamentos anteriores, aderência ao tratamento, causas de abandono do tratamento, idade em que o diagnóstico foi feito, relação da Hiperpressao Arterial. com a gravidez, crises hipertensivas...

2) manifestações clínicas atuais ou passadas que possam indicar o acometimento de órgãos alvo e sua evolução:
• SNC- (sistema nervoso central) sintomas neurológicos focais, transitórios ou com sequelas (AVC)
• Sistema cardiovascular- dispnéia de esforço, dispnéia paroxística noturna, ortopnéia, edema agudo de pulmão, dor torácica, claudicação intermitente e edema
• sistema genitourinário- hematúria, nictúria, disúria e edema

 

3) fatores de risco cardiovascular:
• história familiar de hipertensão arterial, diabetes e outras doenças do aparelho circulatório, principalmente se ocorridas em idade precoce (antes dos 35 anos)
• tabagismo
• uso de bebidas alcoólicas - quantidade, tipo e frequencia
• hábitos alimentares - especialmente quanto a ingestão de gorduras saturadas ( gordura animal) e sal
• obesidade
• diabetes melittus
• hiperlipidemias
• diagnósticos anteriores de problemas cardiovasculares- infarto do miocárdio, angina de peito, AVC, arteriosclerose obliterante periférica, cardiomegalia ou alterações eletrocardiográficas
• sedentarismo
• estresse

 

4) uso de medicações : contraceeptivos orais, cortocóides e medicamentos hormonais

5) história patológica pregressa: deve-se buscar diagnósticos anteriores de outras doenças, tais como doença respiratória crônica, doenças renais, glomerulonefrite, pielonefrite e cistites de repetição.

O Exame físico deve constar de alguns dados importantes:
• peso e altura
• medida da PA ( 2x)
• palpação dos pulso periféricos e ausculta de sopros vasculares
• exame do precórdio para detecção de hipertrofia e ou dilatação do coração, bulhas anormais ou sopros
• exame do aparelho respiratório para detecção de sinais e insuficiência cardíaca ( ruídos adventícios, derrame pleural)
• exame do abdomen para verificação de presença de hepatomegalia, massas abdominais ou sopros vasculares
• edema periférico ou palpebral
• exame neurológico
• exame de fundo de olho

Além da importância da avaliação para diagnosticar a Hiperpressao Arterial e os exames que acompanham sua evolução, é necessário a identificação de uma crise hipertensiva. Ela vai apresentar:
• elevação da PA diastólica acima de 120 mmHg
• tonturas
• convulsões
• taquicardias
• escotomas
• parestesias
• dispnéia
• sinal de fundo de olho

 

Tratamento:

Existem alguns princípios importantes no tratamento da Hiperpressao Arterial:
 

1) A PA deve ser determinada com precisão antes do diagnóstico
 

2) causas secundárias conhecidas de hipertensão devem ser excluídas com testes ( estenose arterial renal, aldosteronoma, coarctação aórtica, feocromocitoma...)
 

3) uma vez estabelecido o diagnóstico a terapia não deve ser retardada ou interrompida
 

4) a avaliação do paciente deve incluir evidências de lesão em órgão alvo
( retinal, cardíaco , renal, vascular periférico )
 

5) fatores agravantes devem ser reconhecidos: álcool, estresse, hábitos de exercícios, medicamentos e dieta indevida
 

6) deve-se instituir terapia farmacológica eficaz com um cuidadoso acompanhamento médico para monitorizar a eficácia da droga e a aderência do paciente para minimizar as reações adversas
 

7) o alvo da terapia deve ser normalizar a PA, proteger órgãos alvo e prolongar a vida. A educação do paciente é fator positivo e a não cooperação é fator de fracasso do tratamento.

 

A base fundamental do tratamento será:

 

• abolição do tabagismo
• abolição do consumo de bebidas alcoólicas
• reeducação alimentar (diminuição de sal e gordura)


• diminuição de peso
• evitar atividades que exijam carregar grandes pesos ou manter os membros superiores elevados
• tratamento medicamentoso nos casos mais graves ( agentes anti-hipertensivos: diuréticos, bloqueadores alfa-adrenérgicos, vasodilatadores, bloqueadores beta, alfa-agonistas atuantes centralmente, antagonistas adrenérgicos atuantes perifericamente, antagonistas do cálcio e inibidores da ECA). Usar medicamentos apenas com recomendação e supervisao de um medico.
• exercícios físicos aeróbicos :deverão ser feitos regularmente e progressivamente: caminhadas, natação, ciclismo (ergométrica ou ao ar livre), hidroginástica. No mínimo 3x por semana e com duração de 30 minutos, com a intensidade de 60 a 85% da frequencia cardíaca máxima do indivíduo ( 220 - idade ).
Acupuntura: algumas tecnicas de acupuntura são capazes de tirar um individuo da crise em poucos minutos, sem uso de medicamento, e outras tecnicas ajudam a estabilizar a Pressão Arterial.
Osteopatia: infelizmente pouco conhecida, utiliza-se de tecnicas de manipulações que em muitos casos normalizam a

 

Pressão Arterial do paciente em alguns segundos. O mais interessante da Osteopatia e da acupuntura, e o fato de conseguir controlar a pressão sem o uso de medicamentos, e sem efeitos colaterais. Certamente respeitando as indicações e contra-indicacoes de cada paciente

 

O exercício aeróbico constante e a longo prazo pode resultar na diminuição de pelo menos 10 a 20 mmHg na PA em repouso e ao exercício em indivíduos com Hiperpressao Arterial (a OMS recomenda um mínimo de 30 minutos de exercícios, 3 vezes por semana).
 

Ele modifica a PA sistólica e diastólica ( acredita-se ) através da diminuição do SNA simpático, via diminuição dos níveis de norepinefrina plasmática.
 

A diminuição da reabsorção de sódio associa-se com níveis menores de insulina sérica e a diminuição do volume sanguíneo também são mecanismos considerados como participantes na diminuição da PA após treinamento físico regular e a longo prazo.

 

 

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